Aldeia Awiñapamianaa
Nome tradicional Awiñapamiana, em português de Santa Isabel, fica no rio Ayari, afluente do rio Içana na Terra Indígena Alto Rio Negro-AM. Foi fundada no ano de 1985, pelo senhor Dapíroa (Júlio Cardoso), do clã Awadzoro, nascido no igarapé Pamáali, rio Içana. Casou-se no rio Ayari. E, depois da morte de seus pais, resolveu mudar de aldeia e assim, ele foi morar com o sogro Koliamhaali (Hermando), do clã Waipere-dakeenai, na aldeia Wainoma, a atual Macedônia, que fica logo rio acima da atual aldeia Santa Isabel.
Este território da comunidade foi concedido pelo senhor “Aguiami”, do clã Maolieni, morador nativo deste território. Ele concedeu direito ao Dapíroa (Júlio Cardoso) de morar e viver neste território como parte integrante legítimo da família ancestral do velho, sendo considerado por ele como neto, para procriar seus netos, bisnetos, de geração atual e futura.
A comunidade foi fundada com objetivo de constituir um lugar para viver bem com sua família. Ter lugar onde morar, trabalhar, plantar, caçar, pescar, produzir, educar, gerar e colher resultados. Para viver e praticar o que bem sabe da cultura e viver bem como melhor sabe, para não perturbar e disputar pelo espaço com outras pessoas. Produzir, gerar, interagir e criar a relação de interculturalidade . Este é o plano de vida comunitária para o bem viver na comunidade Santa Isabel do Rio Ayari.
Atualmente a comunidade é habitada por 22 famílias, dos clãs: Awadzoro, Waliperedakeenai, Hohoodeni, Kañhetalieni/Cubeo,koripako e Maolieni. Distribuídas em 50 casas-residências. Com uma população aproximada de 120 pessoas.
Os moradores dominam e manejam bem o Sistema Agrícola Káali, praticando a agricultura, pesca, caça e coleta, sendo como principal meio de produzir e promover a sociobioeconomia do bem viver. Realizam cerimônias, eventos e praticam rituais culturais tradicionais e religiosos. Cantam, tocam e dançam músicas tradicionais. Entoam cantos tradicionais e religiosos.
Acompanham calendário ecológico-astronômico tradicional Baniwa para realização de suas atividades socioculturais e ambientais. Também acompanham calendário civil não indígena para comemoração de datas comemorativas cívicas regionais, estaduais e nacionais.
Na comunidade existem pessoas que detenham conhecimentos tradicionais especializados, como técnica em construção da casa, canoa, ralo, artesanatos, cerâmicas entre várias especialidades. Outras pessoas são detentores de conhecimentos sobre as plantas de modo geral, ervas medicinais (etnobotânicas), entre outros conhecimentos associados.
Existem pessoas com habilidades em manuseio de equipamentos eletrônicos, tais como computadores, Internet, câmera fotográfica, filmadora, gravador de áudio, GPS, instalação do sistema fotovoltaico, tijoleiro, serrador de tábua e carpinteiro.
Existem também jovens, egressos do ensino médio, com potencial e capacidade para participar e desenvolver pesquisas interculturais e colaborativas para registro das narrativas, histórias e manejo ambiental.
