KALIPANA celebra junto com os Povos Baniwa e Koripako Quatro Prêmios de Reconhecimento Nacional em 2025

Fortalecimento cultural e educacional dos povos Baniwa e Koripako no Alto rio Negro – AM

O ano de 2025 ficará gravado na memória dos povos Baniwa e Koripako como um período de conquistas históricas e reconhecimento nacional. Em diferentes áreas — das iniciativas populares à educação integral e literatura científica— demonstrando força, resiliência e um profundo compromisso com a preservação de seus saberes e territórios. Essas vitórias se expressaram na conquista de prestigiados prêmios nacionais, o projeto comunitário como a Casa-Território Kalipana foi valorizado por promover resistência cultural e justiça socioambiental. Além disso, a homenagem ao educador-pesquisador-liderança Dzoodzo Baniwa evidenciou o papel fundamental de personalidades indígenas na defesa dos direitos e tradições dos povos originários. O destaque da Escola Baniwa Eeno Hiepole como modelo inovador de educação integral indígena no país e do Prêmio Jabuti Acadêmico, que reconheceu a importância do olhar indígena na ciência. Cada premiação representou uma realização e o resultado de um esforço coletivo baseado em saberes ancestrais. O reconhecimento nacional fortaleceu o protagonismo das comunidades, reafirmando a importância de políticas inclusivas e do respeito à diversidade cultural. Dessa forma, 2025 tornou-se um marco histórico, de esperança e inspiração para as futuras gerações Baniwa e Koripako.

Cultura e Território: Prêmio Periferia Viva para a Casa-Território Kalipana
Casa-Território Kalipana conquista 3ª posição na classificação nacional

A conquista do prêmio Periferia Viva 2025 pela Casa-Território Kalipana — projeto de iniciativa comunitária da aldeia Santa Isabel do rio Ayari – concedido pelo Ministério das Cidades por meio da Secretaria Nacional de Periferias representa um marco significativo para as iniciativas indígenas no Brasil. Reconhecida nacionalmente, a Casa-Território Kalipana se destaca como referência de protagonismo comunitário, promovendo articulação sólida entre diferentes gerações e reunindo mulheres, jovens e anciãos em prol do fortalecimento dos saberes tradicionais, segurança alimentar e direitos dos povos originários. Este espaço funciona como projeto de resistência cultural, incentivando a transmissão de saberes, culinária e gastronomia Baniwa, e realiza oficinas de preparo de comidas, celebrações tradicionais e ações educativas que valorizam a memória, soberania alimentar, saberes ancestrais e a língua Baniwa.

Entre os projetos desenvolvidos, destacam-se iniciativas voltadas para a segurança alimentar, como o sistema agrícola tradicional Káali, hortas coletivas, sistema agroflorestal, meliponicultura e beneficiamento da mandioca, garantindo autonomia e nutrição saudável para a comunidade local. Essas atividades estão alinhadas com a busca pela justiça socioambiental, defendendo a preservação do território e o acesso digno a políticas públicas. O reconhecimento nacional pelo prêmio legitima a luta da Casa-Território Kalipana e inspira outras comunidades indígenas e periféricas a reivindicarem seus espaços e direitos, mostrando que a gestão comunitária pode transformar realidades.

A Casa-Território Kalipana reafirma seu papel como símbolo de esperança, resistência e inovação social, contribuindo para a construção de um Brasil mais plural e justo.

Vida e Obra: Prêmio Fundação Bunge para Dzoodzo Baniwa
Dzoodzo Baniwa está entre os quatros premiados

Dzoodzo Baniwa, educador-pesquisador-liderança Baniwa da aldeia Santa Isabel do rio Ayari, teve sua trajetória reconhecida nacionalmente ao receber o Prêmio Fundação Bunge na categoria “Vida e Obra”. Sua história é marcada por décadas de dedicação à defesa dos territórios dos povos Baniwa e Koripako. Ao longo dos anos, Dzoodzo se destacou como uma voz ativa em fóruns, assembleias e encontros locais, regionais, nacionais e internacionais, articulando resistência, resiliência e justiça climática, sempre promovendo o respeito às tradições ancestrais e as ciências.

Atuando como mediador entre lideranças indígenas e comunidades científicas, Dzoodzo buscou garantir direitos constitucionais, como educação diferenciada, saúde indígena, justiça climática e respeito à autonomia cultural. Sua sabedoria é compartilhada por meio de ensinamentos orais que valorizam a língua Baniwa e incentivam os jovens a conhecerem e protegerem suas raízes.

Além disso, Dzoodzo foi fundamental na articulação de projetos comunitários voltados à sustentabilidade ambiental, justiça climática e ao fortalecimento da identidade indígena, como a Casa-Território Kalipana. Sua liderança inspira sua própria comunidade e outras aldeias da região, tornando-se referência para movimentos sociais, projetos comunitários e pesquisas interculturais e colaborativas.

O reconhecimento da Fundação Bunge celebra tanto a dedicação individual de Dzoodzo quanto o trabalho coletivo dos povos originários na Amazônia, refletindo sua perseverança e fé na força de sua gente. Ele representa a esperança de um futuro no qual a cultura Baniwa seja respeitada, valorizada e celebrada. Sua trajetória evidencia que a defesa do território, das tradições e no diálogo científico é um caminho de resistência e renovação para toda a Amazônia. Dzoodzo Baniwa é um exemplo de educador-pesquisador-liderança e compromisso com o bem viver indígena.

Educação: Escola Baniwa Eeno Hiepole como Modelo Nacional
Certificado de reconhecimento da Escola Baniwa Eeno Hiepole

No campo educacional, a Escola Municipal Baniwa Eeno Hiepole de Tempo Integral, localizada na aldeia Canadá, rio Ayari conquistou certificado de reconhecimento nacional, através da Secretaria Municipal de Educação, ao ser destacada pelo Ministério da Educação (MEC) como uma “Experiência Inspiradora” no âmbito do Programa Escola em Tempo Integral. Esse reconhecimento valoriza a proposta pedagógica inovadora da aldeia-escola, que integra de maneira efetiva os saberes ancestrais do povo Baniwa ao currículo formal, promovendo uma educação contextualizada e significativa para os estudantes indígenas.

A escola oferece um ensino diferenciado, no qual disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa e Matemática, dialogam com conteúdos próprios da cultura Baniwa, como a língua nativa, histórias orais, práticas de manejo do território e conhecimentos sobre a biodiversidade local. Isso fortalece o orgulho étnico, estimula o protagonismo juvenil e contribui para a formação de cidadãos conscientes de sua identidade e papel social.

Além disso, a experiência da Eeno Hiepole serve de modelo para outras escolas indígenas e não indígenas do país, demonstrando que é possível conciliar educação moderna e tecnologia com a valorização dos saberes tradicionais. O projeto pedagógico estimula a participação comunitária, aproximando lideranças, pais e anciãos do processo educativo, o que potencializa o aprendizado e resgata valores coletivos.

Esse reconhecimento do MEC legitima a luta dos povos Baniwa por uma educação de qualidade, plural e inclusiva, fortalecendo políticas públicas que respeitam a diversidade cultural e promovem a autonomia dos povos indígenas. O exemplo da escola inspira novas iniciativas educativas, sinalizando caminhos para a construção de uma educação integral, sustentável e verdadeiramente brasileira.

Ciência e Literatura: Prêmio Jabuti Acadêmico

A conquista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 pelo livro “Espécies de Aves do Rio Cubate” representa um marco para a ciência brasileira e para a valorização dos saberes indígena. Esta obra, resultado de uma colaboração entre a comunidade Baniwa de Nazaré do rio Cubate, lideranças indígenas e pesquisadores não indígenas, evidencia a força do trabalho coletivo e o respeito mútuo entre pesquisadores e povos originários. O registro trilíngue das mais de 300 espécies de aves — em português, Nheengatu e Baniwa — é um feito notável, pois democratiza o conhecimento, fortalece as línguas indígenas e reafirma a importância da diversidade cultural na produção científica. Ao valorizar o olhar indígena sobre a biodiversidade, o livro ultrapassa fronteiras acadêmicas e mostra que o entendimento profundo do território, aliado à experiência ancestral, inspirado pela história de naturalista como Alfredo Wallace é fundamental para a ciência moderna e para o avanço da biotecnologia. Essa integração de saberes tradicionais e acadêmicos enriquece o campo da pesquisa e promove inovação, respeito à natureza e reconhecimento aos povos que há miliares de anos cuidam da Amazônia. O prêmio, portanto, é mais do que um reconhecimento editorial: é símbolo de resistência, diálogo intercultural e esperança para a construção de uma ciência verdadeiramente inclusiva e transformadora no Brasil.

Conclusão: Fortalecimento e Esperança para o Futuro

Com estas conquistas, a Casa-Território Kalipana junto com os povos Baniwa e Koripako encerram 2025 mais fortalecidos e reconhecidos nacionalmente. Cada prêmio representa uma vitória e o resultado de um trabalho colaborativo, atravessado por saberes ancestrais, respeito à natureza e o desejo de construir um futuro de bem viver para as próximas gerações. O reconhecimento destas premiações contribui para a valorização da diversidade cultural e das formas de organização dos povos indígenas, servindo de exemplo para outras comunidades e reforçando a importância de políticas públicas inclusivas e respeitosas.

Em tempos de desafios, as vitórias de 2025 renovam as esperanças e mostram ao Brasil que os povos originários da Amazônia têm muito a ensinar e celebrar. Estas conquistas não são apenas troféus; são ferramentas de fortalecimento político e social. Os povos Baniwa e Koripako encerram o ano com a voz mais alta, provando que a Amazônia indígena é capaz de produzir ciência, educação de excelência e soluções reais para o futuro do planeta.

Kalipana estreou com banquete de resistência e sabor no Encontro de Mulheres e da Juventude Baniwa e Koripako

Comidas Tradicionais do Sistema Agrícola Káali

Entre os dias 12 e 14 de novembro de 2025, a aldeia Canadá, situada às margens do rio Ayari, foi o local da realização do I Encontro Regional de Mulheres e III Encontro da Juventude Baniwa e Koripako. O evento reuniu mulheres e jovens de diversas aldeias do território do rio Içana para celebrar cultura, ancestralidade e inovação. Inspirado pelo tema central “Jovens Medzeniakonai para o Bem Viver: Empreendedorismo Indígena como Estratégia de Enfrentamento às Mudanças Climáticas no Território do rio Içana”, o encontro destacou a força criativa e coletiva da juventude indígena.

Um dos momentos marcantes foi a realização da feira comunitária, onde a Casa-Território Kalipana estreou com comida tradicional: o banquete do Káali, repleto de sabores e memórias dos produtos do Sistema Agrícola Káali. Jovens e mulheres lideranças da Kalipana trouxeram à mesa receitas ancestrais, base da alimentação comunitária, preparadas com insumos cultivados de maneira sustentável, em harmonia com o ciclo natural da floresta e valorizando os saberes e sabores transmitidos de geração em geração.

Jovens da Kalipana durante a feira comunitária. Foto: Dzoodzo Baniwa

O banquete de Káali foi composto por pratos típicos e tradicionais, como galinha caipira, farinha e beijú de mandioca, peixe assado, além de uma variedade de frutas nativas, incluindo suco de abacaxi e vinho de patauá com tapioca. As sobremesas encantaram com doces de caju, coco, banana, batata, tucumã com tapioca, cará, ariá entre outras delícias. O preparo coletivo e cuidadoso dessas iguarias não apenas alimentou os presentes, mas também fortaleceu o coletivo de resistência e celebração da sociobiodiversidade local.

A feira comunitária se destacou como espaço de troca de saberes entre juventude e anciãos. Histórias sobre a importância da preservação do Sistema Agrícola Káali foram compartilhadas, transformando o evento em um encontro vivo de práticas de manejo sustentável e empreendedorismo indígena. Jovens e mulheres da Kalipana demonstraram que inovar passa também por resgatar o passado e cuidar do futuro.

A participação da Casa-Território Kalipana reafirmou o compromisso com o fortalecimento da cadeia de produtos da sociobiodiversidade, promovendo economia comunitária e valorização cultural pelas comunidades indígenas. O banquete servido tornou-se símbolo de união e resistência, provando que a tradição é fonte de criatividade, prosperidade e reciprocidade.

Exposição de comidas durante a feira comunitária. Foto: Dzoodzo Baniwa

O evento foi marcado por integração, aprendizado e celebração, onde cada prato servido traduzia a força da juventude e das mulheres da Kalipana, bem como o profundo respeito à terra e cultura. Compartilhar a refeição foi um ato de reafirmação identitária, valorização dos saberes originários e construção coletiva de um futuro sustentável. Assim, a Casa-Território Kalipana segue firme em sua missão de difundir os produtos e valores da sociobiodiversidade, inspirando novas gerações a defender seus territórios, saberes e sabores. O III Encontro da Juventude consolidou-se como uma experiência que alimentou corpo e alma, plantando sementes de esperança e resistência em cada participante.

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#Kalipana

Oficina de elaboração do Plano de Gestão de Negócio da Kalipana

Povo Baniwa e Koripako fortalece o desenvolvimento da sociobiodiversidade no território

O evento está ocorrendo no período de 04-08 de novembro de 2025, na aldeia Santa Isabel, rio Ayari – AM, a oficina para a elaboração do Plano de Gestão de Negócio da Kalipana, reunindo representantes de 17 comunidades Baniwa e Koripako, totalizando cerca de 120 participantes. A oficina é promovida pelo Dep. de Negócios Socioambientais da FOIRN em parceria com a NADZOERI e ISA. O evento marca uma etapa importante na construção da alternativa econômica para desenvolvimento sustentável do território.

O principal objetivo da oficina é criar um modelo de gestão de negócio comunitário que una a dinâmica social Baniwa com ferramentas de administração e economia, garantindo a formação e treinamento em negócios. O Plano de Gestão de Negócio da Kalipana vai organizar a produção, valorizar o saber ancestral e estruturar a comercialização de produtos agrícolas do Sistema Agrícola Káali.

Durante o encontro, lideranças e jovens compartilharam experiências, necessidades e sonhos para o futuro, e fizeram exercício de construção de Plano de Gestão de Negócio de outras cadeias da sociobiodiversidade desenvolvidas no território, tais como Cerâmica Baniwa, Mel Baniwa e Artesanatos. O processo de construção coletiva garantiu que as prioridades das comunidades fossem consideradas como iniciativas importantes, colocando desenvolvimento socioeconômico para o bem viver indígena no centro das decisões.

A oficina também discutiu como os benefícios financeiros gerados pela produção local podem circular e fortalecer a própria comunidade, evitando a fuga de recursos e potencializando o desenvolvimento sustentável do território. Além disso, foram debatidas estratégias para agregar valor aos produtos e ampliar o acesso a mercados local, regional e nacional, sem perder a identidade cultural.

Segundo os organizadores, o Plano de Gestão de Negócio será uma ferramenta fundamental para consolidar a economia indígena, agregar valor aos produtos, desenvolvimento territorial e garantir o bem viver das famílias Baniwa e Koripako. O documento, que está em fase de elaboração, vai orientar ações futuras e fortalecer as parcerias dentro e fora do território.

A experiência da Casa-Território Kalipana demonstra a força do protagonismo indígena na busca por soluções inovadoras e sustentáveis. “Estamos construindo nosso próprio futuro, com respeito e valorização de nossa cultura”, afirmou o líder comunitário e articulador da Kalipana.

Esse movimento representa um passo importante para garantir que os recursos naturais e os saberes tradicionais sejam utilizados de maneira equilibrada, beneficiando as atuais e próximas gerações, e inspirando outras comunidades indígenas no território do rio Içana, rio Negro e na Amazônia.

Realização: Dep. de Negócios Socioambientais-FOIRN

Coordenação local: Kalipana

Parceria: NADZOERI-ISA

Apoio: For Eco/RN e FAM

Oficina de Capacitação em Instalação e Gestão do Sistema Fotovoltaico na Casa-Território Kalipana

Foi realizada na Casa-Território Kalipana, aldeia Santa Isabel do rio Ayari –AM, a Oficina de Capacitação em Instalação e Gestão do Sistema Fotovoltaico, ocorrida no período de 13 e 15 de outubro de 2025. A iniciativa, que integrou conhecimento tradicional e tecnologia moderna, capacitou jovens, moradores da aldeia e de comunidades vizinhas para gerar sua própria energia limpa. 

Os três jovens do próprio território – Juny Baniwa (técnico em administração), Rafael Baniwa (pós-médio em Gestão da Tecnologia Social) e Adriana Baniwa (formada em nível médio) – participaram de um curso de formação promovido pelo Centro de Aprendizagem Indígena para a Transição Energética Justa, uma parceria da FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro) com o Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn) e o Escritório Campus Sustentável da Unicamp, no âmbito do Projeto Sollar Rio Negro. 

Oficina de Capacitação em Instalação e Gestão do Sistema Fotovoltaico na Casa-Território Kalipana, aldeia Santa Isabel, promovendo energia sustentável e autonomia comunitária.

De volta à sua terra, eles se tornaram os instrutores principais, colocando em prática a implementação do sistema fotovoltaico. A oficina na Casa-Território Kalipana teve como foco principal treinar, na prática, outros jovens e lideranças para cuidarem da geração energia elétrica através do sistema fotovoltaico. 

A atividade foi intensa e coletiva. As lideranças da Kalipana e das aldeias vizinhas de Macedônia, São Joaquim e Camarão, organizaram atividades comunitárias para retirar e preparar as peças de madeira que formariam a base para os painéis solares. Os jovens e estudantes da Escola Kalipana também foram envolvidos para acompanhar as atividades de instalação elétrica, como parte do processo de aprendizagem técnica. 

Todo o processo contou com um suporte técnico e a assistência online do Prof. Msc. Dzoodzo Baniwa, físico e cientista ambiental, que guiou os passos mais técnicos à distância, garantindo a precisão e a segurança da instalação. Foi um belo exemplo de como o conhecimento acadêmico pode se conectar com a realidade do território. 

Após três dias de trabalho dedicado, o sistema foi concluído e testado e está em pleno funcionamento. A alegria e o sentimento de conquista tomaram conta da comunidade, pois conseguiu uma ferramenta para melhorar a segurança alimentar e suporte de fornecimento de energia para o trabalho de professores com os estudantes. 

A principal finalidade desta primeira estrutura é a conservação de alimentos frescos. Com a energia solar garantindo o funcionamento de freezer, a comunidade poderá preservar por mais tempo o pescado, as frutas e outros alimentos, reduzindo o desperdício e garantindo uma alimentação saudável e diversificada, especialmente nos períodos de difícil acesso aos recursos e ao ciclo natural de produção. 

As lideranças locais expressaram profunda gratidão à equipe local de jovens instrutores e ao professor Dzoodzo pelo apoio essencial. O agradecimento também se estendeu ao Fundo Socioambial Casa, cujo apoio financeiro foi fundamental para transformar o sonho da energia sustentável em realidade, também aos parceiros do projeto NADZOERI-FOIRN-SEMEDI e REDE MAKIRA ETA. 

A Oficina na Kalipana simboliza desenvolvimento das comunidades indígenas, a valorização dos saberes e a transição para uma energia justa e limpa. É um passo concreto rumo a um futuro em que a tecnologia serve ao bem-estar e bem viver das pessoas, respeitando e integrando-se ao seu território. A luz do sol, agora, também ilumina novas possibilidades para o povo Baniwa da aldeia Santa Isabel.

Realização: Coletivo Casa-Território Kalipana

Parceria: NADZOERI-FOIRN-SEMEDI- REDE MAKIRA ETA

Apoio: Fundo Socioambiental Casa

Transição Intergeracional e Energética: juventude Baniwa assume protagonismo na implementação de sistema fotovoltaico na aldeia Santa Isabel, rio Ayari – AM

Uma nova etapa de transformação está em curso no território do rio Ayari, protagonizada por três jovens Baniwa que retornaram à aldeia Santa Isabel para fortalecer a comunidade através do Projeto Kalipana: Fortalecendo a estrutura da Casa-Território Agrícola. O foco central do projeto é a implantação de um sistema fotovoltaico, que irá gerar energia elétrica sustentável e garantir a conservação de alimentos, promovendo autonomia energética e alimentar para a aldeia. O projeto é apoio do Fundo Socioambiental Casa

Juny Baniwa, anfitrião da aldeia e técnico em administração formado pelo IFAM-CSGC; Rafael Baniwa, pós-médio em Gestão da Tecnologia Social pelo IDSM; e Adriana Baniwa, com formação em nível médio. Este trio representa a geração 2.0 da Educação Escolar Indígena, acumulando experiências desde os tempos escolares e em diversos projetos comunitários voltado a energia solar no território.

Recentemente, estes três jovens participaram do curso de treinamento em instalação de sistemas fotovoltaicos promovido pelo Centro de Aprendizagem Indígena para a Transição Energética Justa, ligado à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, em parceria com o Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn) e o Escritório Campus Sustentável da Unicamp, no âmbito do Projeto Sollar Rio Negro. O curso tem como objetivo capacitar indígenas para atuar tanto na implementação quanto na manutenção de sistemas de energia solar, especialmente em regiões remotas não atendidas pelo Sistema Integrado Nacional (SIN).

O Centro de Aprendizagem Indígena, por sua vez, visa formar multiplicadores indígenas, que possam disseminar conhecimento sobre energias renováveis, começando pela tecnologia fotovoltaica, e apoiar uma transição energética justa no território do Rio Negro.

Aqui os jovens Baniwa estão cumprindo com a sua missão técnica e social, atuando na instalação dos sistemas solares e multiplicando o saber adquirido para o benefício da aldeia.

A iniciativa representa uma importante transição intergeracional, onde o conhecimento escolar e comunitário se une à inovação tecnológica. Ao retornarem para sua terra natal, Juny, Rafael e Adriana mostram que a formação escolar indígena pode ser aliada ao desenvolvimento sustentável, protagonizando soluções que respeitam a cultura e promovem o desenvolvimento comunitário. Eles se tornam exemplos para outras juventudes indígenas, mostrando que é possível construir pontes entre tradição e modernidade.

Com o sistema fotovoltaico instalado, a aldeia Santa Isabel espera melhorar a qualidade de vida: a energia limpa permitirá conservar alimentos, iluminar espaços comunitários e fortalecer a agricultura, tudo alinhado aos valores da cultura e sustentabilidade. Além disso, o conhecimento técnico adquirido pelos jovens será compartilhado, formando novos agentes locais capazes de expandir a transição energética na região. Esta experiência revela como a educação escolar indígena, aliada ao engajamento comunitário e ao acesso a novas tecnologias, pode ser motor de transformação social e ambiental. O protagonismo dos jovens Baniwa inspira outras comunidades e reafirma a importância de investir na formação indígena como estratégia para promover uma transição energética justa, inclusiva e sustentável na Amazônia.

Prof. Msc. Dzoodzo Baniwa | Físico e cientista ambiental

Realização: Coletivo Casa-Território Kalipana

Parceria: NADZOERI-FOIRN-SEMEDI- Rede Makira Eta

Apoio: Fundo Socioambiental Casa

Projeto Kalipana Casa-Território Agrícola: a caminho de reconhecimento federal à agricultura indígena

Classificação no Prêmio Periferia Viva 2025 ressalta força dos saberes tradicionais e a transformação social no território Baniwa e Koripako

Ministério das Cidades anuncia resultado: Projeto Kalipana entre os classificados nacionais

Em um anúncio aguardado com grande expectativa, o Ministério das Cidades divulgou o resultado preliminar do Prêmio Periferia Viva 2025, reconhecendo iniciativas inovadoras que promovem transformação, inclusão e desenvolvimento social em territórios periféricos do Brasil. Entre os classificados está o Projeto Kalipana Casa-Território Agrícola, desenvolvido na aldeia Santa Isabel, território indígena do rio Ayari-Içana, município de São Gabriel da Cachoeira (AM). A notícia trouxe orgulho e esperança para o povo da aldeia, reafirmando o protagonismo dos saberes ancestrais na construção de caminhos para o futuro sustentável.

Do coração da Amazônia: origem e força comunitária

Localizada no extremo noroeste do Amazonas, na região do Alto Rio Negro, a aldeia Santa Isabel é a casa-território do povo indígena Baniwa. O Projeto Kalipana nasce desse território, onde o rio Ayari-Içana corta a floresta e sustenta a vida de quem ali habita. Fruto de uma articulação comunitária, o projeto resgata práticas agrícolas tradicionais e promove a autonomia das famílias, valorizando a cultura e a história do povo originário.

“O reconhecimento fortalecerá nossa luta e mostra para o Brasil que a nossa forma de viver e produzir pode inspirar outras aldeias-territórios”, afirma Dzoodzo Baniwa, liderança e um dos articuladores do projeto.

Educação Comunitária e o Sistema Agrícola Káali: saberes que alimentam e protegem

Um dos pilares do Projeto Kalipana é a Educação Comunitária voltada à agricultura sustentável indígena. As atividades acontecem em espaços de aprendizagem coletiva e comunitária, onde crianças, jovens e adultos trocam experiências sobre o manejo da terra, sementes nativas, ciclos de plantio, cosmovisão e de relação com harmoniosa com a natureza. A matriz pedagógica da Escolas é o Sistema Agrícola Káali, um sistema de saber sobre manejo milenar praticado pelos povos Baniwa e Koripako, que integra roças, quintais e agroflorestas, coleta, caça e pesca respeitando o equilíbrio da natureza e os ritmos culturais.

O Sistema Agrícola Káali está diretamente vinculado ao Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SAT-RN), reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no ano de 2010. Esse reconhecimento federal reforça que a agricultura indígena, além de garantir produção de alimentos saudáveis, é um patrimônio vivo que contribui para a identidade nacional.

Pequena feira comunitária Kalipana, em Santa Isabel do rio Ayari
Soberania alimentar, resiliência climática e fortalecimento dos saberes tradicionais

O trabalho do Projeto Kalipana tem gerado impactos de transformação positiva na aldeia Santa Isabel. A produção diversificada de mandioca, frutas, hortaliças e plantas medicinais manejas no sistema de roça e manejos agroecológicos assegura soberania alimentar às famílias, reduzindo a dependência de alimentos industrializados e fortalecendo a saúde comunitária. Além disso, a resiliência climática é construída no dia a dia: práticas,  manejos agroecológicos e atividades culturais que ocorrem de acordo com os ciclos naturais ajudam a enfrentar os impactos sistêmicos e fenômenos extremos de  secas e enchentes, garantindo a continuidade da vida mesmo diante das mudanças ambientais e climáticas.

“Aprendi com meus avós a cuidar da terra e das sementes. Hoje ensino meus filhos e netos, porque nosso futuro depende disso”, compartilha Valdir Karará, agricultor e educador comunitário.

Prêmio Periferia Viva: reconhecimento que transforma

A classificação do Projeto Kalipana no Prêmio Periferia Viva representa, para os povos do rio Ayari-Içana, muito mais do que uma conquista coletiva. É a afirmação de que os caminhos construídos a partir dos territórios indígenas são fundamentais para a inclusão social e o desenvolvimento sustentável do Brasil. O prêmio federal como esse valoriza trajetórias comunitárias, incentiva o protagonismo de mulheres, jovens e idosos, e inspira outras periferias a fortalecer suas raízes.

Segundo o site do Mapa das Periferias, o prêmio tem como objetivo “reconhecer, valorizar, potencializar e premiar iniciativas populares, de assessorias técnicas e de entes públicos governamentais que estejam em andamento, e que promovem enfrentamento da desigualdade socioespacial e a potencialização e transformação dos territórios periféricos”.

Depoimentos e sonhos coletivos: perspectivas para o futuro

A notícia da classificação foi recebida com alegria na aldeia Santa Isabel. Crianças, mulheres e anciãos celebraram o reconhecimento, reafirmando o compromisso de seguir cultivando a terra e preservando os saberes dos antepassados. Para as lideranças indígenas, o Prêmio Periferia Viva abre portas para novas parcerias, investimentos em educação comunitária e infraestrutura, e amplia a visibilidade das lutas dos povos originários.

“Queremos que nossos filhos tenham orgulho de ser indígenas Baniwa, conheçam nossa história e possam viver dignamente no território ao mesmo em tempo em que acessam conhecimento de outras culturas. O prêmio é só o começo de uma jornada que queremos compartilhar com outras comunidades”, resume Cléo Baniwa, uma das moradoras da aldeia.

Conclusão: raízes que sustentam o futuro

A classificação do Projeto Kalipana Casa-Território Agrícola no Prêmio Periferia Viva 2025 é um marco para os povos Baniwa e Koripako, e para todo os povos indígenas do Brasil. Representa a valorização dos saberes tradicionais, a garantia da soberania alimentar, a construção da resiliência climática e a renovação do compromisso com a inclusão social. Mais do que um reconhecimento, é um convite para celebrar a diversidade, fortalecer as raízes e construir um futuro em que todos tenham espaço para crescer, desenvolver e viver bem. Que o exemplo da aldeia Santa Isabel inspire outros territórios a acreditar na força das comunidades, na sabedoria dos ancestrais e na capacidade de transformar os territórios  a partir das aldeias. Viva o Projeto Kalipana, viva os povos indígenas do Rio Negro!

Projeto Kalipana: Energia Solar e Conservação de Alimentos na Aldeia Santa Isabel do Rio Ayari – AM

Segurança alimentar, conservação de alimentos e sustentabilidade para a aldeia Baniwa

O Projeto Kalipana está em execução e nasceu do sonho de fortalecer a Casa-Território Agrícola Káali, na aldeia Santa Isabel do Rio Ayari, TI Alto Rio Negro, Amazonas. A iniciativa parte das necessidades reais da comunidade, buscando garantir energia limpa e equipamentos essenciais para o dia a dia, valorizando os saberes tradicionais e reforçando a autonomia alimentar do povo Baniwa.

Recebimento de kit de sistema fotovoltaico em São Gabriel da Cachoeira

Hoje, a Casa-Território Agrícola já dispõe de itens que facilitaram muito a rotina de produção e beneficiamento de alimentos, como ralador elétrico, forno elétrico e um triciclo, que agiliza o transporte de insumos e produtos. Esses equipamentos melhoraram a dinâmica local, aumentando a produção comunitária e agregando valor ao que é cultivado na terra.

No entanto, o desafio agora é garantir a conservação de alimentos frescos, especialmente frutas, peixes e caça. Sem equipamentos adequados para esse fim, grande parte da produção de ciclo natural acaba sendo perdida, dificultando armazenamento e estoques para o consumo nos períodos de escassez. Principalmente em dias atuais em que se depara cada vez mais com os impactos sistêmicos de mudanças no clima e as variações naturais da região.

Pensando nisso, o projeto está viabilizando a chegada de um kit de energia solar (sistema fotovoltaico) e freezers de pequeno porte, destinados especialmente ao armazenamento de polpas de frutas e outros alimentos perecíveis. Com energia do sol, será possível conservar melhor os alimentos, evitar desperdícios e aproveitar ao máximo a produção local de maneira sustentável.

A conservação adequada dos alimentos é fundamental para a segurança alimentar de toda a aldeia, com destaque para os jovens estudantes, que precisam de uma alimentação regular e nutritiva durante todo o ano letivo. Essa ação também fortalece a resistência da comunidade diante dos períodos de escassez e dos impactos crescentes das mudanças climáticas, assegurando o aproveitamento integral dos recursos da floresta e dos roçados.

O próximo passo de atividades do projeto será a realização da oficina de capacitação sobre instalação e gestão do sistema fotovoltaico envolvendo o treinamento jovens e lideranças que farão instalação e gestão do sistema fotovoltaico e eletrodoméstico.

Recebimento de gêneros alimentícios e eletrodomésticos.

Com a implantação do sistema fotovoltaico e a ampliação dos equipamentos de conservação, a Casa-Território Agrícola Káali se consolida ainda mais como referência de proteção alimentar, geração de renda e valorização do protagonismo dos jovens Baniwa.

O projeto une tecnologia e valorização de saberes locais, promovendo segurança alimentar, sustentabilidade e melhor qualidade de vida. É a tradição e a inovação caminhando juntas para garantir o futuro do povo e da floresta. A iniciativa reforça a autonomia e o bem viver dos moradores, demonstrando que inovação e tradição podem caminhar juntas pelo desenvolvimento das comunidades indígenas.

Realização: Coletivo Casa-Território Kalipana

Parceria: Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri

Apoio: Fundo Socioambiental Casa

Projeto Integrador Pedagógico: Káaliaphi | Horta Resiliente

Agregar saberes e práticas milenares ao processo de educação integral indígena

Atividade comunitária na roça, em Santa Isabel do rio Ayari. Foto: Gerson Lopes/Kalipana/2024.

O Projeto Integrador Pedagógico Kalieni – Horta Resiliente, da Escola Municipal Indígena Santa Isabel (Kalipana), está programado para o segundo semestre de 2025. Busca integrar saberes ancestrais e contemporâneos no território Medzeniako frente aos desafios das mudanças climáticas. O objetivo é desenvolver a educação integral com tema da soberania alimentar das comunidades indígenas, especialmente por meio da construção coletiva de uma horta resiliente com estudantes do 6º e 7º anos do ensino fundamental, aliando o conhecimento ancestral do Sistema Agrícola Káali as práticas agroecológicas.

A mãe e a filha na roça comunitária Kalipana. Foto: Gerson Lopes/Kalipana/2024

O projeto reconhece que o território Medzeniako, com sua biodiversidade e tradição agrícola, sofre impactos diretos de eventos climáticos extremos, como a extrema cheia e das extremas secas, afetando a produção de alimentos. A iniciativa visa articular a aldeia-escola, estudantes, pessoas anciãs, agricultores(as) locais e técnicas convidadas no processo de educação comunitária, potencializando a cultura local e à sustentabilidade.

Nesse contexto, a Escola Kalipana identifica o papel fundamental na articulação e busca de respostas criativas e resilientes, que valorizem e revitalizem saberes ancestrais, ao mesmo tempo que incorporam técnicas adaptadas à realidade socioambiental. A horta resiliente surge, assim, como espaço pedagógico e produtivo, capaz de inspirar novas práticas no território e fortalecer a autonomia alimentar das famílias.

O Sistema Agrícola Káali é herança viva do povo Medzeniako, marcado pela prática da policultura no sistema de roça e manejado pela pluralidade e da diversidade cultural intrínseca destes povos. Essas práticas, transmitidas de geração em geração, asseguraram por milênios a manutenção e manejo da terra-floresta, da fertilidade do solo e as diversidades de plantas domesticadas e manejadas nas práticas agroecológicas.

O processo de integração desses saberes será coordenado por educadores(as), pessoas anciãs, agricultores(as) locais e técnicas convidadas, garantindo o respeito à cultura ancestral e a construção coletiva do conhecimento.

A metodologia proposta é baseada no compreender-agir-atuar, com cinco etapas principais: diagnóstico participativo comunitário, planejamento colaborativo escolar, implantação coletiva da horta, manejo e monitoramento dos cultivos, e avaliação/disseminação dos resultados. Um processo contínuo e cíclico pedagógico que respeita aos anos e ciclos escolares. 

1. Diagnóstico Participativo Comunitário 

Construção de roteiro de estudo-investigativo escolar. Estudantes, docentes e comunidade realizam levantamentos sobre narrativas, histórico agrícola do território, condições do solo e clima, variedades cultivadas e desafios atuais. Oficinas e rodas de conversa com pessoas mais velhas enriquecem o diagnóstico.

2. Planejamento Colaborativo Escolar

Definição coletiva dos objetivos, competência e habilidades educacionais da horta. Reunião da variedade e diversidade de espécies a serem cultivadas. Desenho  dos canteiros, definição dos turnos de cuidado e elaboração de um calendário astronômico-agroecológico adequado ao ciclo de vida das plantas. Aulas presenciais, estudo-dirigido, pesquisa com entrevista, bibliográfica e pela Internet. Sistematização Coletiva das narrativas e informações. Além de articular possíveis apoio técnico e financeiro para subsidiar a implementação do projeto. 

3. Implantação da Horta Kalieni

Mutirões comunitários, envolvendo estudantes, famílias e educadores, para preparo do solo, montagem dos canteiros, preparação de adubo orgânico, plantio das mudas e sementes, instalação do sistema de irrigação e montagem do espaço de compostagem. Aplicação de técnicas e tecnologias de saberes locais agregadas com conhecimentos técnicos e tecnologias de outros povos.

4. Manejo e monitoramento

Acompanhamento diário dos cultivos, manejo integrado, irrigação, capinas, adubações e registro das observações em diários de campo. Realização de feiras, degustações e partilhas das colheitas com a comunidade escolar.

5. Avaliação e disseminação

Avaliação coletiva dos resultados, registro das experiências em textos, fotos e vídeos. Sistematização coletiva e relatório final da aprendizagem. Publicação em redes sociais e promoção de encontros para compartilhar aprendizados com outras escolas e comunidades do território.

Algumas plantas da roça comunitária Kalipana. Foto: Gerson Lopes/Kalipana 2024
Importância e Impacto Esperado

A Kalieni Horta Resiliente pretende ser referência de como a escola pode responder aos desafios contemporâneos, formando novas gerações comprometidas com a sustentabilidade e com a valorização das raízes culturais do território, diante do contexto da mudança e das incertezas climáticas. Para superá-los, aposta-se na mobilização comunitária, no intercâmbio de experiências com outras iniciativas e na busca de parcerias com instituições de pesquisa, ONGs e órgãos governamentais. A perspectiva é que a horta escolar se torne um laboratório vivo, capaz de gerar inovações, fortalecer a identidade local e inspirar ações semelhantes em outros territórios.

O lançamento do blog Kalipana: uma nova voz da aldeia Baniwa Santa Isabel do rio Ayari – TI Alto Rio Negro -AM

Uma plataforma de conexão e valorização cultural no coração da Amazônia

Moradores reunidos para o momento de lançamento do blog. Foto: Neide Lopes/Kalipana

É com imensa alegria que hoje 23 de junho de 2025 anunciamos o lançamento do blog Kalipana, uma iniciativa comunitária inovadora situada na comunidade indígena Baniwa de Santa Isabel, no rio Ayari, dentro da Terra Indígena Alto Rio Negro-AM. Este blog surge como uma ferramenta vital para dar visibilidade às ricas experiências, histórias e saberes da comunidade, reforçando o papel central da Casa-Território Kalipana como espaço de resistência cultural, fortalecimento da soberania alimentar, educação comunitária e fortalecimento identitário.

O que é a Kalipana?

A Kalipana é um espaço que simboliza a nossa existência física, espacial e espiritual em nosso território,  desde a pessoa-família, da casa-aldeia, território-ecossistema e do bioma-biosfera terrestre. Representa a nossa conexão ancestral com a nossa terra, a memória e a luta de uma comunidade dedicada à preservação de seus saberes, conhecimentos, cultura, educação, artes e tecnologias sociais. Localizada em uma das regiões mais isoladas e ricas em biodiversidade, florestas, águas e ares puro da Amazônia e do Planeta. Esta iniciativa representa o esforço conjunto de lideranças indígenas, famílias e jovens para criar um ambiente de união, troca e aprendizado intergeracional pautado na prática do Bem Viver.

O nome “Kalipana” carrega significados profundos conectados aos saberes ancestrais e à cosmovisão da cultura Baniwa. A Kalipana é Casa-Território do Káali, divindade ligada ao Sistema Agrícola do povo Baniwa-Koripako. Atualmente, ela está ressignificada e integrada às práticas agrícolas, socioculturais e educacionais do povo Baniwa desta aldeia e território.  Agora, com o lançamento do blog, a Kalipana amplia seu alcance, permitindo que suas vozes ecoem para além da aldeia-território e das margens do Rio Ayari.

O blog: um espaço de conexão e resistência

O blog da Kalipana foi criado com o objetivo de ser uma ponte entre a comunidade de Santa Isabel e o mundo exterior. Por meio dessa plataforma, os visitantes poderão conhecer mais sobre:

  • A cultura local: histórias orais, ritos alimentares, celebrações tradicionais e práticas culturais transmitidas de geração em geração.
  • A educação comunitária: relatos que apresentam as rotinas, os objetivos e as perspectivas dos moradores de Santa Isabel.
  • Saberes ancestrais: conhecimento sobre território, das tecnologias sociais, das técnicas agrícolas, da caça, pesca, coleta e manejo sustentável da floresta.
  • A luta pelo território: a importância da preservação ambiental e do território indígena, desafios e conquistas da comunidade frente às ameaças externas e das mudanças climáticas.

Além disso, o blog também servirá como um espaço para divulgar eventos, atividades e projetos realizados pela Casa-Território Kalipana, fortalecendo as redes de apoio e colaboração.

Por que o Blog é Importante?

O lançamento do blog da Kalipana é um marco histórico, pois representa um importante passo rumo à inclusão digital de uma comunidade pequena que tradicionalmente esteve afastada e fora dos centros de atenção política, participação e comunicação. Essa plataforma permitirá que a comunidade de Santa Isabel:

  • Afirme sua identidade cultural e fortaleça a memória coletiva.
  • Divulgue sua perspectiva sobre questões sociais, práticas educacionais e impactos locais de mudanças climáticas que afetam a Amazônia e o mundo.
  • Estabeleça conexões com outras comunidades, associações indígenas e organizações aliadas.

Em tempos em que o território e a cultura indígena enfrentam pressões constantes, o blog se posiciona como uma forma de resistência e protagonismo, garantindo que as vozes da comunidade de Santa Isabel sejam ouvidas e respeitadas.

Como acompanhar?

O blog será atualizado e alimentado gradualmente com conteúdos criados por membros da própria comunidade, como os estudantes, professores e lideranças. Convidamos todos os interessados em apoiar a causa indígena, aprender sobre a cultura Baniwa e se conectar com  a nossa Casa-Território e acompanhar de perto nossa iniciativa.

Um convite à reflexão e à ação

O lançamento do blog da Casa-Território Kalipana não é apenas uma celebração local, mas também é um chamado geral para reconhecer e apoiar a riqueza cultural e os direitos dos povos indígenas. Em cada postagem, esperamos que leitores encontrem conexão para se engajarem na luta pela preservação dos territórios e das culturas indígenas, que são, ao mesmo tempo, bases para um futuro sustentável e bem viver de todos.Venha fazer parte dessa história. Juntos, podemos construir pontes de respeito, conhecimento e solidariedade. Bem-vindos ao blog da Kalipana, a nova voz de Santa Isabel e do rio Ayari!

Escola Kalipana

A Escola foi fundada em 1994  e desde lá ela vem funcionando com nível de ensino da Educação Infantil (Pré  I e II), Ensino Fundamental I (1° ao 5° ano). E a partir de 2023, por reivindicação da comunidade, o Ensino Fundamental II  (6° ao 9°) implantado como sala de extensão da Escola Municipal Indígena Eeno Hiepole. 

Desde que ela foi fundada a comunidade nunca pensou e se esforçou em elaborar o seu PPP. Somente a partir do ano de 2001, depois da realização de oficinas no território do rio Ayari é que ela se inspirou a partir de experiências de outras comunidades a começar elaborar seu projeto político pedagógico. 

Entre os anos de 2005 a 2008 foi um momento importante para educação escolar em São Gabriel, foram realizados diversos encontros pedagógicos por calhas de rio. Os encontros de formação continuada para professores indígenas envolvia a participação das lideranças locais para saber como orientar os professores no processo educacional escolar, seja no planejamento de atividades escolares,  na elaboração de um projeto político pedagógico (PPP) e na avaliação da educação municipal. 

Com relação à elaboração do PPP, muitas comunidades deram início ao trabalho de sistematização, mas quando trocou de gestor municipal, mudou também a rotina e dinâmica da relação pessoal com técnicos e consequentemente dificultou a continuidade de trabalho e ficou parado.  

Depois algumas oficinas pontuais, sem sequência contínua, foram realizadas entre os anos de 2010 e 2014 no território do Ayari, através da iniciativa Escola Municipal Baniwa Eeno Hiepole. Avançou-se na discussão e elaboração do PPP sobre Educação Integral em Tempo Integral. Porém, a comunidade-escola Santa Isabel  não avançou significativamente na sistematização do projeto político pedagógico, mas sempre estava ativa na participação acumulando experiências a partir dos debates e encaminhamentos. 

E a partir do ano de 2023 o assunto de PPP foi retomado, nesta oportunidade, no âmbito do curso online de Projeto político-pedagógico na escola  indígena: criação, melhoria e crítica, ofertado pelo CEUNIR-FEUSP no âmbito da cooperação técnica entre NADZOERI-FOIRN. 

Este curso impulsionou a retomada e avanço na elaboração comunitária do PPP da Escola Municipal Indígena Santa Isabel e que se materializou neste documento

Estrutura física da Escola Santa Isabel

A Escola Santa Isabel é uma escola pequena, neste ano letivo de 2024, conta apenas com único prédio escolar composta por apenas 2 salas de aula e 1 sala depósito. Ela funciona com regime multicicladas, e divide suas atividades em dois turnos para atender seus estudantes. 

No turno matutino, a turma de educação infantil (pré I e II) ocupa uma das salas de aula, e a turma de ensino fundamental I (1º ao 5º ano) na outra sala de aula.  No turno vespertino, a turma de ensino fundamental II (6º ao 9º ano) é divida em duas turmas, sendo 6º e 7º numa sala de aula e 8º e 9º ano na outra sala de aula.

Para atividades práticas, lúdicas entre outras atividades pedagógicas existem infraestrutura comunitárias como centro social comunitário, espaços ao ar livre para práticas esportivas, sendo a quadra de voleibol, quadra da futsal e campo de futebol.  

O espaço do Centro Social Comunitário é utilizado para refeições coletivas (refeitório comunitário), realização de eventos e assembleia (auditório público). Este mesmo espaço também é utilizado no âmbito escolar como refeitório, auditório e espaço para realizar seminário, oficina e outros eventos escolares.

Central de Beneficiamento da Mandioca – através de projeto comunitário foi construído espaço com infraestrutura para beneficiamento da mandioca. Possui duas casas com equipamentos de beneficiamento da mandioca e uma casa-escritório com equipamentos técnicos. Este espaço é aproveitado como laboratório de pesquisa e experimentação junto com os estudantes,   incentivando a alfabetização e letramento em pesquisa científica. Funciona como telecentro comunitário com acesso a internet.  Este espaço é também considerado como Centro de Pesquisa Agrícola Kalipana,  dedicado para estudo, pesquisa, experimentação e inovação em práticas socioeducacionais, socioculturais e gestão de tecnologias sociais para o bem viver indígena. Visa desenvolver ações colaborativas para formação integral de estudantes, pesquisadores, professores e lideranças indígenas através de implementação de projeto-pesquisa-ação, envolvendo as questões ambientais, territoriais, direitos indígenas, mudanças climáticas. 

Sala Anexa da Escola Santa Isabel na comunidade Macedônia

Por causa da especificidade social das comunidades indígenas organizadas em pequenos núcleos de familiares e formado em uma pequena comunidade, uma localizada perto ou mais longe da outra ao longo da extensão de território em calha de rio, da distância geográfica e pela dificuldade na mobilidade terrestre e fluvial em transporte escolar aos estudantes para acesso à escola, devido a essa situação surge a necessidade de criar mecanismo que dê atenção específica para atender a essa realidade. Assim foi criado o termo “Sala Anexa” para descentralizar o atendimento da demanda por escola nas comunidades pequenas. A sala anexa é um espaço físico que funciona fora da sede da escola e é assistida  pedagogicamente pela escola matriz. 

Assim, no ano de 2024, para atender a demanda específica da comunidade de Macedônia foi criada a Sala Anexa da Escola Santa Isabel nesta comunidade. Atendendo os níveis de ensino da Educação Infantil (pré I e II) e Ensino Fundamental de anos iniciais (1º ao 5º ano) no regime multicicladas e conta com atuação de apenas 1 professor. A Sala anexa funciona de acordo com a especificidade da comunidade, mas também levando em consideração o calendário e a política pedagógica da escola matriz.