KALIPANA celebra junto com os Povos Baniwa e Koripako Quatro Prêmios de Reconhecimento Nacional em 2025

Fortalecimento cultural e educacional dos povos Baniwa e Koripako no Alto rio Negro – AM

O ano de 2025 ficará gravado na memória dos povos Baniwa e Koripako como um período de conquistas históricas e reconhecimento nacional. Em diferentes áreas — das iniciativas populares à educação integral e literatura científica— demonstrando força, resiliência e um profundo compromisso com a preservação de seus saberes e territórios. Essas vitórias se expressaram na conquista de prestigiados prêmios nacionais, o projeto comunitário como a Casa-Território Kalipana foi valorizado por promover resistência cultural e justiça socioambiental. Além disso, a homenagem ao educador-pesquisador-liderança Dzoodzo Baniwa evidenciou o papel fundamental de personalidades indígenas na defesa dos direitos e tradições dos povos originários. O destaque da Escola Baniwa Eeno Hiepole como modelo inovador de educação integral indígena no país e do Prêmio Jabuti Acadêmico, que reconheceu a importância do olhar indígena na ciência. Cada premiação representou uma realização e o resultado de um esforço coletivo baseado em saberes ancestrais. O reconhecimento nacional fortaleceu o protagonismo das comunidades, reafirmando a importância de políticas inclusivas e do respeito à diversidade cultural. Dessa forma, 2025 tornou-se um marco histórico, de esperança e inspiração para as futuras gerações Baniwa e Koripako.

Cultura e Território: Prêmio Periferia Viva para a Casa-Território Kalipana
Casa-Território Kalipana conquista 3ª posição na classificação nacional

A conquista do prêmio Periferia Viva 2025 pela Casa-Território Kalipana — projeto de iniciativa comunitária da aldeia Santa Isabel do rio Ayari – concedido pelo Ministério das Cidades por meio da Secretaria Nacional de Periferias representa um marco significativo para as iniciativas indígenas no Brasil. Reconhecida nacionalmente, a Casa-Território Kalipana se destaca como referência de protagonismo comunitário, promovendo articulação sólida entre diferentes gerações e reunindo mulheres, jovens e anciãos em prol do fortalecimento dos saberes tradicionais, segurança alimentar e direitos dos povos originários. Este espaço funciona como projeto de resistência cultural, incentivando a transmissão de saberes, culinária e gastronomia Baniwa, e realiza oficinas de preparo de comidas, celebrações tradicionais e ações educativas que valorizam a memória, soberania alimentar, saberes ancestrais e a língua Baniwa.

Entre os projetos desenvolvidos, destacam-se iniciativas voltadas para a segurança alimentar, como o sistema agrícola tradicional Káali, hortas coletivas, sistema agroflorestal, meliponicultura e beneficiamento da mandioca, garantindo autonomia e nutrição saudável para a comunidade local. Essas atividades estão alinhadas com a busca pela justiça socioambiental, defendendo a preservação do território e o acesso digno a políticas públicas. O reconhecimento nacional pelo prêmio legitima a luta da Casa-Território Kalipana e inspira outras comunidades indígenas e periféricas a reivindicarem seus espaços e direitos, mostrando que a gestão comunitária pode transformar realidades.

A Casa-Território Kalipana reafirma seu papel como símbolo de esperança, resistência e inovação social, contribuindo para a construção de um Brasil mais plural e justo.

Vida e Obra: Prêmio Fundação Bunge para Dzoodzo Baniwa
Dzoodzo Baniwa está entre os quatros premiados

Dzoodzo Baniwa, educador-pesquisador-liderança Baniwa da aldeia Santa Isabel do rio Ayari, teve sua trajetória reconhecida nacionalmente ao receber o Prêmio Fundação Bunge na categoria “Vida e Obra”. Sua história é marcada por décadas de dedicação à defesa dos territórios dos povos Baniwa e Koripako. Ao longo dos anos, Dzoodzo se destacou como uma voz ativa em fóruns, assembleias e encontros locais, regionais, nacionais e internacionais, articulando resistência, resiliência e justiça climática, sempre promovendo o respeito às tradições ancestrais e as ciências.

Atuando como mediador entre lideranças indígenas e comunidades científicas, Dzoodzo buscou garantir direitos constitucionais, como educação diferenciada, saúde indígena, justiça climática e respeito à autonomia cultural. Sua sabedoria é compartilhada por meio de ensinamentos orais que valorizam a língua Baniwa e incentivam os jovens a conhecerem e protegerem suas raízes.

Além disso, Dzoodzo foi fundamental na articulação de projetos comunitários voltados à sustentabilidade ambiental, justiça climática e ao fortalecimento da identidade indígena, como a Casa-Território Kalipana. Sua liderança inspira sua própria comunidade e outras aldeias da região, tornando-se referência para movimentos sociais, projetos comunitários e pesquisas interculturais e colaborativas.

O reconhecimento da Fundação Bunge celebra tanto a dedicação individual de Dzoodzo quanto o trabalho coletivo dos povos originários na Amazônia, refletindo sua perseverança e fé na força de sua gente. Ele representa a esperança de um futuro no qual a cultura Baniwa seja respeitada, valorizada e celebrada. Sua trajetória evidencia que a defesa do território, das tradições e no diálogo científico é um caminho de resistência e renovação para toda a Amazônia. Dzoodzo Baniwa é um exemplo de educador-pesquisador-liderança e compromisso com o bem viver indígena.

Educação: Escola Baniwa Eeno Hiepole como Modelo Nacional
Certificado de reconhecimento da Escola Baniwa Eeno Hiepole

No campo educacional, a Escola Municipal Baniwa Eeno Hiepole de Tempo Integral, localizada na aldeia Canadá, rio Ayari conquistou certificado de reconhecimento nacional, através da Secretaria Municipal de Educação, ao ser destacada pelo Ministério da Educação (MEC) como uma “Experiência Inspiradora” no âmbito do Programa Escola em Tempo Integral. Esse reconhecimento valoriza a proposta pedagógica inovadora da aldeia-escola, que integra de maneira efetiva os saberes ancestrais do povo Baniwa ao currículo formal, promovendo uma educação contextualizada e significativa para os estudantes indígenas.

A escola oferece um ensino diferenciado, no qual disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa e Matemática, dialogam com conteúdos próprios da cultura Baniwa, como a língua nativa, histórias orais, práticas de manejo do território e conhecimentos sobre a biodiversidade local. Isso fortalece o orgulho étnico, estimula o protagonismo juvenil e contribui para a formação de cidadãos conscientes de sua identidade e papel social.

Além disso, a experiência da Eeno Hiepole serve de modelo para outras escolas indígenas e não indígenas do país, demonstrando que é possível conciliar educação moderna e tecnologia com a valorização dos saberes tradicionais. O projeto pedagógico estimula a participação comunitária, aproximando lideranças, pais e anciãos do processo educativo, o que potencializa o aprendizado e resgata valores coletivos.

Esse reconhecimento do MEC legitima a luta dos povos Baniwa por uma educação de qualidade, plural e inclusiva, fortalecendo políticas públicas que respeitam a diversidade cultural e promovem a autonomia dos povos indígenas. O exemplo da escola inspira novas iniciativas educativas, sinalizando caminhos para a construção de uma educação integral, sustentável e verdadeiramente brasileira.

Ciência e Literatura: Prêmio Jabuti Acadêmico

A conquista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025 pelo livro “Espécies de Aves do Rio Cubate” representa um marco para a ciência brasileira e para a valorização dos saberes indígena. Esta obra, resultado de uma colaboração entre a comunidade Baniwa de Nazaré do rio Cubate, lideranças indígenas e pesquisadores não indígenas, evidencia a força do trabalho coletivo e o respeito mútuo entre pesquisadores e povos originários. O registro trilíngue das mais de 300 espécies de aves — em português, Nheengatu e Baniwa — é um feito notável, pois democratiza o conhecimento, fortalece as línguas indígenas e reafirma a importância da diversidade cultural na produção científica. Ao valorizar o olhar indígena sobre a biodiversidade, o livro ultrapassa fronteiras acadêmicas e mostra que o entendimento profundo do território, aliado à experiência ancestral, inspirado pela história de naturalista como Alfredo Wallace é fundamental para a ciência moderna e para o avanço da biotecnologia. Essa integração de saberes tradicionais e acadêmicos enriquece o campo da pesquisa e promove inovação, respeito à natureza e reconhecimento aos povos que há miliares de anos cuidam da Amazônia. O prêmio, portanto, é mais do que um reconhecimento editorial: é símbolo de resistência, diálogo intercultural e esperança para a construção de uma ciência verdadeiramente inclusiva e transformadora no Brasil.

Conclusão: Fortalecimento e Esperança para o Futuro

Com estas conquistas, a Casa-Território Kalipana junto com os povos Baniwa e Koripako encerram 2025 mais fortalecidos e reconhecidos nacionalmente. Cada prêmio representa uma vitória e o resultado de um trabalho colaborativo, atravessado por saberes ancestrais, respeito à natureza e o desejo de construir um futuro de bem viver para as próximas gerações. O reconhecimento destas premiações contribui para a valorização da diversidade cultural e das formas de organização dos povos indígenas, servindo de exemplo para outras comunidades e reforçando a importância de políticas públicas inclusivas e respeitosas.

Em tempos de desafios, as vitórias de 2025 renovam as esperanças e mostram ao Brasil que os povos originários da Amazônia têm muito a ensinar e celebrar. Estas conquistas não são apenas troféus; são ferramentas de fortalecimento político e social. Os povos Baniwa e Koripako encerram o ano com a voz mais alta, provando que a Amazônia indígena é capaz de produzir ciência, educação de excelência e soluções reais para o futuro do planeta.

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Autor: Kalipana | Casa-Território Agrícola

Saberes e Sabores dos alimentos orgânicos do Sistema Agrícola Indígena Káali

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