Uma nova etapa de transformação está em curso no território do rio Ayari, protagonizada por três jovens Baniwa que retornaram à aldeia Santa Isabel para fortalecer a comunidade através do Projeto Kalipana: Fortalecendo a estrutura da Casa-Território Agrícola. O foco central do projeto é a implantação de um sistema fotovoltaico, que irá gerar energia elétrica sustentável e garantir a conservação de alimentos, promovendo autonomia energética e alimentar para a aldeia. O projeto é apoio do Fundo Socioambiental Casa
Juny Baniwa, anfitrião da aldeia e técnico em administração formado pelo IFAM-CSGC; Rafael Baniwa, pós-médio em Gestão da Tecnologia Social pelo IDSM; e Adriana Baniwa, com formação em nível médio. Este trio representa a geração 2.0 da Educação Escolar Indígena, acumulando experiências desde os tempos escolares e em diversos projetos comunitários voltado a energia solar no território.

Recentemente, estes três jovens participaram do curso de treinamento em instalação de sistemas fotovoltaicos promovido pelo Centro de Aprendizagem Indígena para a Transição Energética Justa, ligado à Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, em parceria com o Centro Paulista de Estudos da Transição Energética (CPTEn) e o Escritório Campus Sustentável da Unicamp, no âmbito do Projeto Sollar Rio Negro. O curso tem como objetivo capacitar indígenas para atuar tanto na implementação quanto na manutenção de sistemas de energia solar, especialmente em regiões remotas não atendidas pelo Sistema Integrado Nacional (SIN).
O Centro de Aprendizagem Indígena, por sua vez, visa formar multiplicadores indígenas, que possam disseminar conhecimento sobre energias renováveis, começando pela tecnologia fotovoltaica, e apoiar uma transição energética justa no território do Rio Negro.
Aqui os jovens Baniwa estão cumprindo com a sua missão técnica e social, atuando na instalação dos sistemas solares e multiplicando o saber adquirido para o benefício da aldeia.

A iniciativa representa uma importante transição intergeracional, onde o conhecimento escolar e comunitário se une à inovação tecnológica. Ao retornarem para sua terra natal, Juny, Rafael e Adriana mostram que a formação escolar indígena pode ser aliada ao desenvolvimento sustentável, protagonizando soluções que respeitam a cultura e promovem o desenvolvimento comunitário. Eles se tornam exemplos para outras juventudes indígenas, mostrando que é possível construir pontes entre tradição e modernidade.
Com o sistema fotovoltaico instalado, a aldeia Santa Isabel espera melhorar a qualidade de vida: a energia limpa permitirá conservar alimentos, iluminar espaços comunitários e fortalecer a agricultura, tudo alinhado aos valores da cultura e sustentabilidade. Além disso, o conhecimento técnico adquirido pelos jovens será compartilhado, formando novos agentes locais capazes de expandir a transição energética na região. Esta experiência revela como a educação escolar indígena, aliada ao engajamento comunitário e ao acesso a novas tecnologias, pode ser motor de transformação social e ambiental. O protagonismo dos jovens Baniwa inspira outras comunidades e reafirma a importância de investir na formação indígena como estratégia para promover uma transição energética justa, inclusiva e sustentável na Amazônia.
Prof. Msc. Dzoodzo Baniwa | Físico e cientista ambiental
Realização: Coletivo Casa-Território Kalipana
Parceria: NADZOERI-FOIRN-SEMEDI- Rede Makira Eta
Apoio: Fundo Socioambiental Casa
